- Estou sozinha… Todos me abandonaram… Até mesmo o Alex que me considerava “companhia para a noite toda”… Está tudo aos parezinhos, aos beijinhos, ao abraços… E eu, triste e desolada, completamente esquecida, temo que esta festa se transforme em mais uma noite de eterno sofrimento…
Marisa abandona o local da festa e parte em direcção às árvores mais obscuras do sítio. Encontra uma que pensa ser capaz de escalar e sobe-a até se sentar num dos seus ramos grossos e altos.
- Tristeza de noite… Lua pálida, voz tremida… Quem sou eu para questionar a minha existência… Tristeza feliz de alguém pobre em sonhos… Vivência aveludada pelas palavras doces de amigos distantes…mas tão perto… Pobres dos que pensam que ser popular é tudo numa vida efémera de desventuras e crânios esmagados… Coitados dos que se acham senhores do universo quando na verdade nem senhores do quarto são... Oh lua, porque não choras se estás só? Porque te manténs sempre serena, sempre brilhante, sempre sorridente, sempre…linda, perfeita e maravilhosa, sempre animando-nos e dizendo que não somos suficientemente perfeitos para vencer na vida. Sabes que mais? Odeio-te! Amo-te! Sinto tudo por ti mas nada disso renego. Perfeita, negação completa de um mundo incompleto cheio de ti… Tretas, sou uma triste…
(Partindo daqui ainda não tenho nada alinhavado, ou seja, criticas, sugestões, palpites, o que quer que seja é bem vindo a este projecto. Lembrem-se, um escritor nada é sem os seus leitores!)
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terça-feira, 14 de dezembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
Neo-Portal - Capítulo IV (Continuação)
Sal desce. Embora tenha um sentido de moda um tanto peculiar, nesta noite esmerou-se. Vestindo apenas uma espécie de soutien de cabedal com picos à volta e um pequeno casaco de cabedal de manga curta, um choker, luvas sem dedos até aos cotovelos e com picos, calções de cabedal, cinto de picos e botas de combate.
Entram para dentro do jipe de sete lugares no qual Jonas os aguardava.
- Mas afinal de contas onde vamos? – Pergunta Alex impaciente.
- Já vês mano. – Diz Sal.
- Tu sabias de alguma coisa Fred?
- Estou tão surpreso quanto tu.
Chegam a um descampado onde se encontram vários veículos estacionados.
- E pronto, descemo-nos aqui. Ainda vamos ter de andar um pouco a pé, mas é coisa pouca. – Diz Jonas.
- Afinal de contas onde nos levam?! – Diz Alex cada vez mais impaciente.
- Cala-te e anda! – Ordena Sal.
Após uma caminhada de cerca de dez minutos começam a ouvir música bastante alta e a ver luzes ao fundo.
- Corram! It’s rave time!! – Grita Jonas encorajando os mais novos e começando a correr tanto quanto podia.
Alex pára por breves momentos mas ao ver-se ser deixado para trás começa a correr para acompanhar o resto do grupo. Quando chegam à origem das luzes conseguem ver um enorme letreiro luzidio onde se lê “PARABÉNS ALEX”.
- Quem foi o camelo da treta que fez isto?! – Questiona Alex perplexo.
- Prendinha da maninha grande! – Desvenda Sal sorrindo bastante.
- Tu és…a melhor mana que eu podia ter! – Diz Alex abraçando-se a Sal.
- O mano emprestado também ajudou. – Diz Sal apontando para Jonas.
- Obrigadão mano emprestado!
- Sempre às ordens puto. Mas vai lá curtir a tua big Party!
Alex e o resto do grupo misturam-se na multidão que já lá se encontrava. Luísa agarra em Fred e começa a dançar com ele, já Marisa e Alex vão à procura de algo para comer.
- Bem a tua irmã está mesmo a tentar tudo com o meu irmão…
- É… Um bocado…
- Que dizes em relação a isso?
- Desde que nenhum deles saia magoado…
- Sim, também acho… Bom, horinha de encher a barriga, está ali uma mesa cheia de coisinhas boas. O último a chegar é um ovo podre!
- Só cresces em idade… E depois quem te atura sou eu!
- Só aturas porque…
Alex é interrompido por um golpe de pontapé que lhe acerta nas costelas.
- Considera isto o meu presente…pacóvio… - Diz uma figura escura que depressa desaparece.
- Mas quem…au…
- Alex estás bem?! Que te aconteceu?!
- Estou óptimo! Acabei de ser derrubado por um parvalhão qualquer que me espetou um pontapé sem motivo nenhum! Óbvio que estou excelente! – Grita Alex.
- Desculpa…
- A culpa não é tua… Desculpa eu…
- Tão cedo e já no chão? – Diz Rita, acabada de chegar.
- Pois sim, sabes como é, não se desperdiça tempo.
- Pois. Mas esta ideia da rave foi brutal! Não sabia que eras tão fixe. Subiste bastante na minha consideração. Pode ser que depois de algumas bebidas ainda tenha um tempinho só para ti…se é que me entendes…
- Agradeço mas dispenso. Para além de já ter companhia para a noite toda, restos não fazem parte da minha lista de opções.
Rita pega em Alex pelo pescoço e encosta-o a uma árvore.
- Ouve bem puto. Não é por seres o anfitrião desta festança que podes tratar-me assim. Se eu quisesse acabava contigo aqui e agora e demasiado rápido para dares conta, portanto, se eu fosse a ti pensava mais antes de falar outra vez.
Após este pequeno discurso Rita cospe na cara de Alex e larga-o, depois desvanece nas sombras.
- Mas que raio é isto hoje que tudo te acontece?! – Pergunta Marisa já irritada.
- Olha isso queria eu saber! Esta gente está toda maluca!
- Anda, vamos para onde os outros estão.
Quando Alex e Marisa se encontram com o resto dos companheiros já estes se encontram um pouco alcoolizados. Leo chega-se perto de Alex e cumprimenta-o.
- Então rapaz, como estás? Parabéns miúdo! Esta festa está, numa palavra, excelentemente brutal!
- Pois, e tu estás, numa palavra, bêbedo…
- Só um bocadinho, mas não se diz nada a ninguém.
- Fica descansado que desta boca não sai nada.
- Não sai mas tem de entrar! Anda daí beber qualquer coisa!
- Eu acho melhor não…
- Vai puto, são os teus anos, podes beber, olha só para os teus manos!
Alex olha para trás e vê Fred aos beijos com Luísa e Sal com Jonas.
- É, talvez não faça mal…
Alex segue caminho com Leo deixando Marisa para trás.
Entram para dentro do jipe de sete lugares no qual Jonas os aguardava.
- Mas afinal de contas onde vamos? – Pergunta Alex impaciente.
- Já vês mano. – Diz Sal.
- Tu sabias de alguma coisa Fred?
- Estou tão surpreso quanto tu.
Chegam a um descampado onde se encontram vários veículos estacionados.
- E pronto, descemo-nos aqui. Ainda vamos ter de andar um pouco a pé, mas é coisa pouca. – Diz Jonas.
- Afinal de contas onde nos levam?! – Diz Alex cada vez mais impaciente.
- Cala-te e anda! – Ordena Sal.
Após uma caminhada de cerca de dez minutos começam a ouvir música bastante alta e a ver luzes ao fundo.
- Corram! It’s rave time!! – Grita Jonas encorajando os mais novos e começando a correr tanto quanto podia.
Alex pára por breves momentos mas ao ver-se ser deixado para trás começa a correr para acompanhar o resto do grupo. Quando chegam à origem das luzes conseguem ver um enorme letreiro luzidio onde se lê “PARABÉNS ALEX”.
- Quem foi o camelo da treta que fez isto?! – Questiona Alex perplexo.
- Prendinha da maninha grande! – Desvenda Sal sorrindo bastante.
- Tu és…a melhor mana que eu podia ter! – Diz Alex abraçando-se a Sal.
- O mano emprestado também ajudou. – Diz Sal apontando para Jonas.
- Obrigadão mano emprestado!
- Sempre às ordens puto. Mas vai lá curtir a tua big Party!
Alex e o resto do grupo misturam-se na multidão que já lá se encontrava. Luísa agarra em Fred e começa a dançar com ele, já Marisa e Alex vão à procura de algo para comer.
- Bem a tua irmã está mesmo a tentar tudo com o meu irmão…
- É… Um bocado…
- Que dizes em relação a isso?
- Desde que nenhum deles saia magoado…
- Sim, também acho… Bom, horinha de encher a barriga, está ali uma mesa cheia de coisinhas boas. O último a chegar é um ovo podre!
- Só cresces em idade… E depois quem te atura sou eu!
- Só aturas porque…
Alex é interrompido por um golpe de pontapé que lhe acerta nas costelas.
- Considera isto o meu presente…pacóvio… - Diz uma figura escura que depressa desaparece.
- Mas quem…au…
- Alex estás bem?! Que te aconteceu?!
- Estou óptimo! Acabei de ser derrubado por um parvalhão qualquer que me espetou um pontapé sem motivo nenhum! Óbvio que estou excelente! – Grita Alex.
- Desculpa…
- A culpa não é tua… Desculpa eu…
- Tão cedo e já no chão? – Diz Rita, acabada de chegar.
- Pois sim, sabes como é, não se desperdiça tempo.
- Pois. Mas esta ideia da rave foi brutal! Não sabia que eras tão fixe. Subiste bastante na minha consideração. Pode ser que depois de algumas bebidas ainda tenha um tempinho só para ti…se é que me entendes…
- Agradeço mas dispenso. Para além de já ter companhia para a noite toda, restos não fazem parte da minha lista de opções.
Rita pega em Alex pelo pescoço e encosta-o a uma árvore.
- Ouve bem puto. Não é por seres o anfitrião desta festança que podes tratar-me assim. Se eu quisesse acabava contigo aqui e agora e demasiado rápido para dares conta, portanto, se eu fosse a ti pensava mais antes de falar outra vez.
Após este pequeno discurso Rita cospe na cara de Alex e larga-o, depois desvanece nas sombras.
- Mas que raio é isto hoje que tudo te acontece?! – Pergunta Marisa já irritada.
- Olha isso queria eu saber! Esta gente está toda maluca!
- Anda, vamos para onde os outros estão.
Quando Alex e Marisa se encontram com o resto dos companheiros já estes se encontram um pouco alcoolizados. Leo chega-se perto de Alex e cumprimenta-o.
- Então rapaz, como estás? Parabéns miúdo! Esta festa está, numa palavra, excelentemente brutal!
- Pois, e tu estás, numa palavra, bêbedo…
- Só um bocadinho, mas não se diz nada a ninguém.
- Fica descansado que desta boca não sai nada.
- Não sai mas tem de entrar! Anda daí beber qualquer coisa!
- Eu acho melhor não…
- Vai puto, são os teus anos, podes beber, olha só para os teus manos!
Alex olha para trás e vê Fred aos beijos com Luísa e Sal com Jonas.
- É, talvez não faça mal…
Alex segue caminho com Leo deixando Marisa para trás.
domingo, 10 de outubro de 2010
Neo-Portal - Capítulo IV
O relógio de cuco da sala de estar dos Antunes marca as 20.00 horas e acabando o cuco de se recolher a campainha toca.
- É para mim! – Diz Alex correndo para a porta. Ao abri-la repara que não está ninguém. – Está aí alguém? Olá?! – Luísa dá-lhe um beijo na bochecha esquerda ao mesmo tempo que Marisa lhe dá um beijo na bochecha direita.
- Estamos sim! – Diz Marisa a rir-se – Vamos andando?
- É só o Fred acabar de se despachar…
- Irra que é pior que as raparigas! – Exclama Luísa.
- Já estou pronto, vamos? – Diz Fred ao descer as escadas – Luísa? Marisa? Onde foram buscar essas roupas?
- Se não te agrada não podemos fazer nada. Temos pena!
- Não é isso Luísa… É que… Acho que nunca vos tinha visto assim vestidas…
- Ah! Quer dizer então que gostas? Ainda bem. – Diz Luísa ao sorrir bastante.
Luísa tem olhos verdes e cabelo loiro, curto e sempre espetado, visual comum em rapazes, e não usa qualquer tipo de maquilhagem, mas nesta noite usa uma maquilhagem preta leve e o seu cabelo encontra-se totalmente despenteado, de uma maneira que a torna ainda mais sexy que o habitual. As suas roupas comuns são largas, normalmente um número acima, sempre com blusas com gorro e calças pelas virilhas, no entanto nesta noite traz um pequeno top que lhe deixa o umbigo descoberto e uns calções que lhe cobrem as pernas até pouco abaixo dos joelhos, a única coisa a que se mantém fiel é o calçado, uns ténis pretos e verdes dentro dos quais os seus pés nadam.
Já Marisa não parece afastar-se muito do seu estilo habitual. Dotada de cabelo loiro e olhos verdes, tal qual a sua irmã, mas o seu cabelo é mais comprido, ainda que não muito, não ultrapassando a linha dos ombros e usa uma maquilhagem leve, para disfarçar o que considera errado na sua face. As roupas que veste no seu dia-a-dia são maioritariamente blusas justas assim como calças justas por vezes combinadas com saias. Nesta noite o seu visual é outro, cabelo escorrido tapando-lhe um olho, maquilhagem preta carregadíssima, uma blusa decotada mas com gola alta e sem mangas, luvas finas que vão até pouco acima do cotovelo, mini-saia de ganga preta e botas de combate.
- Mas olha que essas tuas roupas também não são nada comuns em ti. – Repara Luísa.
Fred comummente veste camisas largas e com cores alegres por cima de t-shirts engraçadas e criticas, que combinam com o seu cabelo castanho curto e lhe dá um ar de surfista despreocupado. As pernas são sempre protegidas por calças de ganga rasgadas e os pés por uns ténis iguais aos de Luísa, que lhe foram dados por ela. Nesta noite o rapaz que ultimamente não tem andado assim tão despreocupado quanto a sua aparência aparece com uma camisa justa, preta e abotoada, mas mantendo os ténis e as calças.
- Só porque mudei a camisa…
- E porque é preta, e tu detestas preto, e porque a abotoas-te e andas sempre com ela ao vento.
-É… Decidi mudar um pouquinho…
Ouve-se ao longe a buzina de um carro que pára em frente a este grupo pronto para sair.
- Como é? Wanna ride? – Quem usa esta frase é Jonas, namorado de Salomé.
Jonas Freakalot tem cabelo negro e o seu penteado é do mais esquisito que se pode imaginar, um mohawk ao centro da cabeça mas com cabelo um pouco comprido e escorrido de lado e mais longo da parte de trás, tem barba no queixo e dois piercings no lábio inferior, um do lado esquerdo e outro do direito. Sempre veste t-shirts de bandas de Metal e um casaco de cabedal com o brasão da sua família, calças alternativas, maioritariamente cyber, e botas de combate. Também é adepto das pulseiras de picos, sendo detentor de uma enorme colecção. Tem um jipe que leva para todo o lado.
- Vieste buscar a minha irmã? – Pergunta Alex.
- Sim, mas também vos vim buscar a vocês.
- A nós? Mas nós vamos jantar…
- Pois vão, connosco. Vai lá ver se a tua irmã já está despachada que já devíamos estar a caminho.
- Não vai ver nada! Não te atrevas a subir puto! – Grita Sal da janela do seu quarto – Já agora, gostas da prendinha da maninha?
- Vais-me dar o Jonas?
- Puto, não ias aguentar comigo…
- Não maninho, não é o Jonas.
- É o que então?
- Uma viagem à Disneyland!
Alex olha para Sal com cara de quem fica arrependido por dar ouvidos a alguém.
- Deixa estar que já vês puto pequeno.
- Ok, mas despacha-te!
- É para mim! – Diz Alex correndo para a porta. Ao abri-la repara que não está ninguém. – Está aí alguém? Olá?! – Luísa dá-lhe um beijo na bochecha esquerda ao mesmo tempo que Marisa lhe dá um beijo na bochecha direita.
- Estamos sim! – Diz Marisa a rir-se – Vamos andando?
- É só o Fred acabar de se despachar…
- Irra que é pior que as raparigas! – Exclama Luísa.
- Já estou pronto, vamos? – Diz Fred ao descer as escadas – Luísa? Marisa? Onde foram buscar essas roupas?
- Se não te agrada não podemos fazer nada. Temos pena!
- Não é isso Luísa… É que… Acho que nunca vos tinha visto assim vestidas…
- Ah! Quer dizer então que gostas? Ainda bem. – Diz Luísa ao sorrir bastante.
Luísa tem olhos verdes e cabelo loiro, curto e sempre espetado, visual comum em rapazes, e não usa qualquer tipo de maquilhagem, mas nesta noite usa uma maquilhagem preta leve e o seu cabelo encontra-se totalmente despenteado, de uma maneira que a torna ainda mais sexy que o habitual. As suas roupas comuns são largas, normalmente um número acima, sempre com blusas com gorro e calças pelas virilhas, no entanto nesta noite traz um pequeno top que lhe deixa o umbigo descoberto e uns calções que lhe cobrem as pernas até pouco abaixo dos joelhos, a única coisa a que se mantém fiel é o calçado, uns ténis pretos e verdes dentro dos quais os seus pés nadam.
Já Marisa não parece afastar-se muito do seu estilo habitual. Dotada de cabelo loiro e olhos verdes, tal qual a sua irmã, mas o seu cabelo é mais comprido, ainda que não muito, não ultrapassando a linha dos ombros e usa uma maquilhagem leve, para disfarçar o que considera errado na sua face. As roupas que veste no seu dia-a-dia são maioritariamente blusas justas assim como calças justas por vezes combinadas com saias. Nesta noite o seu visual é outro, cabelo escorrido tapando-lhe um olho, maquilhagem preta carregadíssima, uma blusa decotada mas com gola alta e sem mangas, luvas finas que vão até pouco acima do cotovelo, mini-saia de ganga preta e botas de combate.
- Mas olha que essas tuas roupas também não são nada comuns em ti. – Repara Luísa.
Fred comummente veste camisas largas e com cores alegres por cima de t-shirts engraçadas e criticas, que combinam com o seu cabelo castanho curto e lhe dá um ar de surfista despreocupado. As pernas são sempre protegidas por calças de ganga rasgadas e os pés por uns ténis iguais aos de Luísa, que lhe foram dados por ela. Nesta noite o rapaz que ultimamente não tem andado assim tão despreocupado quanto a sua aparência aparece com uma camisa justa, preta e abotoada, mas mantendo os ténis e as calças.
- Só porque mudei a camisa…
- E porque é preta, e tu detestas preto, e porque a abotoas-te e andas sempre com ela ao vento.
-É… Decidi mudar um pouquinho…
Ouve-se ao longe a buzina de um carro que pára em frente a este grupo pronto para sair.
- Como é? Wanna ride? – Quem usa esta frase é Jonas, namorado de Salomé.
Jonas Freakalot tem cabelo negro e o seu penteado é do mais esquisito que se pode imaginar, um mohawk ao centro da cabeça mas com cabelo um pouco comprido e escorrido de lado e mais longo da parte de trás, tem barba no queixo e dois piercings no lábio inferior, um do lado esquerdo e outro do direito. Sempre veste t-shirts de bandas de Metal e um casaco de cabedal com o brasão da sua família, calças alternativas, maioritariamente cyber, e botas de combate. Também é adepto das pulseiras de picos, sendo detentor de uma enorme colecção. Tem um jipe que leva para todo o lado.
- Vieste buscar a minha irmã? – Pergunta Alex.
- Sim, mas também vos vim buscar a vocês.
- A nós? Mas nós vamos jantar…
- Pois vão, connosco. Vai lá ver se a tua irmã já está despachada que já devíamos estar a caminho.
- Não vai ver nada! Não te atrevas a subir puto! – Grita Sal da janela do seu quarto – Já agora, gostas da prendinha da maninha?
- Vais-me dar o Jonas?
- Puto, não ias aguentar comigo…
- Não maninho, não é o Jonas.
- É o que então?
- Uma viagem à Disneyland!
Alex olha para Sal com cara de quem fica arrependido por dar ouvidos a alguém.
- Deixa estar que já vês puto pequeno.
- Ok, mas despacha-te!
sábado, 4 de setembro de 2010
Neo-Portal - Capítulo III (Continuação)
Mais tarde, na escola, Fred e Alex encontram-se com as gémeas Luísa e Marisa.
- Fred, como estás hoje? – Pergunta Luísa.
- Igual… O mudo não muda porque havia eu de mudar?
- Mas sabes que estar assim não te ajuda em nada certo? É que se vais estar assim o resto da tua vida por causa duma rapariga, temos pena amigo, mas a tua vida vai ser uma perda de tempo.
- É, possivelmente seria melhor acabar já com ela então…
- Oh rapaz! Estás mesmo podre! Deixa-te dessas coisas! Hoje é sexta, sais comigo!
- Saio nada, tenho mais que fazer…
- Quer queiras, quer não eu passo na tua casa para te ir buscar. E prepara-te porque vais ter um muito, mas mesmo muito bom momento. E não quero cá saber de mariquices e “ah o mundo é uma porcaria cinzenta”! Só vives uma vez! Aproveita essa oportunidade única, ok?
- Não posso prometer nada, muito menos isso.
- Então parabéns Alex! É hoje não é? – Diz Marisa.
- É sim, obrigado!
Nisto vai Rita a passar por trás do grupo quando ouve a conversa.
- Fazes anos hoje Alex? Então parabéns. – E dizendo isto Rita beija Alex.
- Obrigado… Acho eu… - diz Alex bastante perplexo.
- E quanto a ti Fred, não fiques tão mal por causa de um pequenino mal entendido. Afinal, não é nada pessoal. – E mandando um beijo para Fred, Rita mistura-se com a multidão.
- Até contigo?! É que de todas as pessoas nesta escola, porquê tu?! Porra pá! – Fred grita com Alex e desaparece.
- Mas Fred…eu não quero nada com ela…
- Deixa lá Alex, ele agora precisa de estar sozinho… mas logo à noite, ele vai ter um bom momento para espairecer… Eu prometo-te, não te preocupes… - Diz Luísa ao tentar acalmar Alex.
- Sinceramente estou mais preocupado contigo que com ele…
- Ele não há-de ser tão má companhia…
- Sim, mas mesmo assim não te esqueças que hoje é para irmos jantar todos ok?
- Descansa rapaz, nós vamos. Mesmo que ela depois vá embora, eu fico lá. – Diz Marisa com um sorriso reconfortante.
- Vamos lá ver o que sai de lá…
- Fred, como estás hoje? – Pergunta Luísa.
- Igual… O mudo não muda porque havia eu de mudar?
- Mas sabes que estar assim não te ajuda em nada certo? É que se vais estar assim o resto da tua vida por causa duma rapariga, temos pena amigo, mas a tua vida vai ser uma perda de tempo.
- É, possivelmente seria melhor acabar já com ela então…
- Oh rapaz! Estás mesmo podre! Deixa-te dessas coisas! Hoje é sexta, sais comigo!
- Saio nada, tenho mais que fazer…
- Quer queiras, quer não eu passo na tua casa para te ir buscar. E prepara-te porque vais ter um muito, mas mesmo muito bom momento. E não quero cá saber de mariquices e “ah o mundo é uma porcaria cinzenta”! Só vives uma vez! Aproveita essa oportunidade única, ok?
- Não posso prometer nada, muito menos isso.
- Então parabéns Alex! É hoje não é? – Diz Marisa.
- É sim, obrigado!
Nisto vai Rita a passar por trás do grupo quando ouve a conversa.
- Fazes anos hoje Alex? Então parabéns. – E dizendo isto Rita beija Alex.
- Obrigado… Acho eu… - diz Alex bastante perplexo.
- E quanto a ti Fred, não fiques tão mal por causa de um pequenino mal entendido. Afinal, não é nada pessoal. – E mandando um beijo para Fred, Rita mistura-se com a multidão.
- Até contigo?! É que de todas as pessoas nesta escola, porquê tu?! Porra pá! – Fred grita com Alex e desaparece.
- Mas Fred…eu não quero nada com ela…
- Deixa lá Alex, ele agora precisa de estar sozinho… mas logo à noite, ele vai ter um bom momento para espairecer… Eu prometo-te, não te preocupes… - Diz Luísa ao tentar acalmar Alex.
- Sinceramente estou mais preocupado contigo que com ele…
- Ele não há-de ser tão má companhia…
- Sim, mas mesmo assim não te esqueças que hoje é para irmos jantar todos ok?
- Descansa rapaz, nós vamos. Mesmo que ela depois vá embora, eu fico lá. – Diz Marisa com um sorriso reconfortante.
- Vamos lá ver o que sai de lá…
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Neo-Portal - Capítulo III
Novo dia começa na casa da família Antunes e para espanto de todos Alex já se encontra levantado. Toma banho pela hora que o sol se levanta, após uma corrida matinal, coisa que não se relaciona nada com o Alex que todos conhecem, e sai da casa de banho com um enorme sorriso na cara.
- Bons dias irmão! – Diz efusivamente.
- Fala baixo puto… - Responde Fred ainda bastante ensonado.
E Alex segue em direcção ao seu quarto. Fecha a porta, atira a toalha, que o cobria da cintura para baixo, para cima da cama, abre as cortinas e a janela e sente o vento a bater-lhe no peito nu.
- Que belo dia que está… Céu azul, brisa fresca, sol brilhante…
Nisto um pequeno cocó de pássaro cai no seu pé esquerdo.
- E merda de pombo! Agora sim tenho o dia completo. – Diz enquanto limpa o pé.
Abre o seu armário para retirar roupa para vestir e fica parado um pouco a olhar-se no espelho. Cabelo loiro, corpo no geral franzino apenas com pequeníssimas saliências, às quais gosta de chamar músculos, nos braços e pernas, e uma fila estreita de pelos claros que se inicia no seu umbigo e segue para baixo. Aproxima a cara do espelho para que possa admirar melhor o seu rosto. Olhos castanhos-claros um tanto amarelados, uma pequena penugem nos lados da sua face e no queixo e um pequeno bigode normal na puberdade.
- Sou mesmo bom… - Diz para si próprio ao mesmo tempo que faz poses para salientar os seus músculos.
- Continua a dizer isso a ti próprio por muitas vezes, pode ser que consigas convencer alguém. E tapa esse penduricalho, ninguém tem interesse em ver isso.
Alex apercebe-se de que está nu e tapa o seu pénis com as mãos.
- Cala-te Salomé! Também ninguém quer saber de ti e andas sempre de roupa interior pela casa!
- Pois ando, mas EU sou boa, e tenho quem to possa garantir maninho – Salomé sorri e entra para o seu quarto.
- Ranhosa… Mas tenho de cortar este bigodinho, fica-me mal.
Alex despacha-se calmamente e desce as escadas que levam à cozinha.
- Sim mãe, sabes que aqui o nosso querido Alex deve andar atrás de algum rabo de saia. – Relata Salomé à sua mãe.
- Oh Sal deixa o teu irmão em paz.
- Pois é Sal! Deixa o teu irmão em paz. – Diz Alex para reforçar a ordem de sua mãe e para sua auto-defesa.
- Está calado miúdo. Lá porque fazes hoje anos não significa que vá ter mais respeito por ti.
- Mas devias! Quinze anos já são uma boa marca, já devias ter-me algum respeito.
- Miúdo, a sério, cala-te…
- E tu Fred, não te manifestas?
- Não tenho nada a dizer, estou completamente vazio de palavras…
- De há duas semanas para cá tens estado muito profundo, mas muito vazio. Já não fazes o mesmo que fazias, às tantas já não és o mesmo…
- Que sabes tu do que falas?! Irrita-me que as pessoas falem do que não sabem como se soubessem do que falam! – Fred diz isto ao mesmo tempo que joga a torrada contra o prato, agarra a sua mochila e sai de casa.
- Frederi… - Renata é interrompida pelo seu telemóvel. – Renata Penetra, bom dia!
- Até logo mãe. – Dizem Alex e Sal à medida que abandonam a habitação.
- Sim…estou a ver…certo… Mas repare que é algo muito precipitado…sim…sim, compreendo perfeitamente, mas mesmo assim…está bem, não se volta a repetir, peço imensas desculpas se o ofendi… - A chamada termina. - Não podia esperar mais um pouco? Oh raio…
- Bons dias irmão! – Diz efusivamente.
- Fala baixo puto… - Responde Fred ainda bastante ensonado.
E Alex segue em direcção ao seu quarto. Fecha a porta, atira a toalha, que o cobria da cintura para baixo, para cima da cama, abre as cortinas e a janela e sente o vento a bater-lhe no peito nu.
- Que belo dia que está… Céu azul, brisa fresca, sol brilhante…
Nisto um pequeno cocó de pássaro cai no seu pé esquerdo.
- E merda de pombo! Agora sim tenho o dia completo. – Diz enquanto limpa o pé.
Abre o seu armário para retirar roupa para vestir e fica parado um pouco a olhar-se no espelho. Cabelo loiro, corpo no geral franzino apenas com pequeníssimas saliências, às quais gosta de chamar músculos, nos braços e pernas, e uma fila estreita de pelos claros que se inicia no seu umbigo e segue para baixo. Aproxima a cara do espelho para que possa admirar melhor o seu rosto. Olhos castanhos-claros um tanto amarelados, uma pequena penugem nos lados da sua face e no queixo e um pequeno bigode normal na puberdade.
- Sou mesmo bom… - Diz para si próprio ao mesmo tempo que faz poses para salientar os seus músculos.
- Continua a dizer isso a ti próprio por muitas vezes, pode ser que consigas convencer alguém. E tapa esse penduricalho, ninguém tem interesse em ver isso.
Alex apercebe-se de que está nu e tapa o seu pénis com as mãos.
- Cala-te Salomé! Também ninguém quer saber de ti e andas sempre de roupa interior pela casa!
- Pois ando, mas EU sou boa, e tenho quem to possa garantir maninho – Salomé sorri e entra para o seu quarto.
- Ranhosa… Mas tenho de cortar este bigodinho, fica-me mal.
Alex despacha-se calmamente e desce as escadas que levam à cozinha.
- Sim mãe, sabes que aqui o nosso querido Alex deve andar atrás de algum rabo de saia. – Relata Salomé à sua mãe.
- Oh Sal deixa o teu irmão em paz.
- Pois é Sal! Deixa o teu irmão em paz. – Diz Alex para reforçar a ordem de sua mãe e para sua auto-defesa.
- Está calado miúdo. Lá porque fazes hoje anos não significa que vá ter mais respeito por ti.
- Mas devias! Quinze anos já são uma boa marca, já devias ter-me algum respeito.
- Miúdo, a sério, cala-te…
- E tu Fred, não te manifestas?
- Não tenho nada a dizer, estou completamente vazio de palavras…
- De há duas semanas para cá tens estado muito profundo, mas muito vazio. Já não fazes o mesmo que fazias, às tantas já não és o mesmo…
- Que sabes tu do que falas?! Irrita-me que as pessoas falem do que não sabem como se soubessem do que falam! – Fred diz isto ao mesmo tempo que joga a torrada contra o prato, agarra a sua mochila e sai de casa.
- Frederi… - Renata é interrompida pelo seu telemóvel. – Renata Penetra, bom dia!
- Até logo mãe. – Dizem Alex e Sal à medida que abandonam a habitação.
- Sim…estou a ver…certo… Mas repare que é algo muito precipitado…sim…sim, compreendo perfeitamente, mas mesmo assim…está bem, não se volta a repetir, peço imensas desculpas se o ofendi… - A chamada termina. - Não podia esperar mais um pouco? Oh raio…
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Neo-Portal - Capítulo II
- Mr. Seixo. Mr. Seixo Paulo. – Uma voz mecanizada chama.
- Sim, sim, estou a ir… Esta gente não sabe esperar. – Profere um personagem já meio calvo – Então vamos lá ver que foi agora… Yes, It’s me here!
- Oh Mr. Seixo, glad you could make it. I am so in need of your services. – é um homem muito mal encarado quem fala.
- You know how it’s done. Leave the envelope at the exit.
- Thanks for everything Mr. Seixo. – O homem sai com um ar parcialmente renovado, como se ventos frescos lhe limpassem a alma.
- Estes americanos da treta, não sabem fazer as coisas sozinhos… E depois vêem ao meu gabinete incomodar-me… Paspalhos… Mas vamos lá ver o que este agora quer… - abre o envelope e desenrola a folha – Hmm… “Three guys ate my wife…” Boa, e que quer ele que eu faça? O corno é ele! Tenho pena mas nada posso fazer. – e joga a folha para um monte de outras tantas idênticas.
Senhor Paulo Seixo, português sonhador em busca de uma vida melhor, residente numa pequena província dos Estados Unidos, perto de um, também este pequeno, aeroporto. Tem um gabinete que ajuda casos…não se sabe de quê, e muito menos se sabe como ajuda, mas alega fazê-lo.
À noite, já pronto para dormir, vem à cabeça de Paulo uma imagem do pedido de ajuda que recebera anteriormente naquela tarde. Um pressentimento de que havia algo que lhe tinha escapado. Assim, procurando deixar a sua mente mais limpa, levanta-se para ir até ao seu escritório e, quando lá chega, nota em falta a carta que procurava. Revista o escritório de uma ponta à outra e tentando não se irritar, pois só ele sabe como é difícil de se acalmar quando se irrita, respira fundo e olha pela janela, uma linda e maravilhosa lua cheia preenchia o céu, rodeada de poucas nuvens escuras, e com um tom um tanto ou quanto alaranjado. Pasmado, fica a contemplar tamanha beleza nunca antes vista por aqueles olhos. Eis quando ouve um barulho vindo da cozinha de sua casa. Um pouco assustado, mas nada que pudesse deixar transparecer, caminha lentamente até a cozinha onde encontra um pequeno anão a revistar-lhe o microondas.
- Minimeu? És tu? – Pergunta em tom de surpresa, medo e gozo.
- Minimeu o cara…ças! – Retalia ferozmente o pequeno ser.
- Que procuras?
- Algo que ainda não encontrei! Mas onde poderás tu tê-la escondido…? Diz-me!
- Mas escondido o quê? Eu não tenho nada a esconder!
- A não ser a própria face! Nem aqueles que te contratam sabem a cara de quem os safa dos problemas!
- Porque isso tornar-se-ia um problema para mim! Mas diz ao que vens! Ordeno-te!
- OK, eu vou-te dizer… - Num golpe muito baixo e desviando a atenção de Paulo, o anão joga-lhe os grandes dentes afiados à barriga e deixando-o gravemente ferido, foge pela janela.
Paulo nem soube ao certo o que lhe aconteceu. Como poderia uma criatura tão pequena ter tanta força nos maxilares? Onde iria um ser humano buscar tanta força? Era algo sobrenatural. No entanto a sua noite apenas começara e os barulhos não cessavam. Levanta-se a muito custo e, de olhos bem fechados, segue o som até à sua origem. Uma sonoridade cada vez mais ruidosa e horrenda deixa de se notar no momento em que entra no seu quarto e vê a carta que procurava há pouco. Pega nela e lê-a com mais atenção.
“Three guys ate my wife… but she keeps walking around in the neighborhood! She is falling into pieces! She is fucking rotten!!!” Escandalizado com o que acaba de ler, Paulo deixa de sentir quando leva com uma enorme pancada na cabeça. Desmaia por breves segundos e quando recupera os sentidos uma mulher meio podre tenta comê-lo vorazmente. Empurra-a, não sabe bem com que força, e consegue escapar de debaixo da desconhecida. Sente algo a efervescer na sua corrente sanguínea e joga-se com tanta força contra a, chamemos-lhe zombie, despedaçando o que faltava. Com o apartamento cheio de sangue, Paulo sabe que não pode permanecer ali por mais tempo. Volta a agarrar na carta e com o sangue que lhe escorre pelos dedos escreve, com letras bem grandes e sobre tudo o que já se encontrava escrito, “DONE”.
Após um bom banho, uma mudança de visual e a aplicação de um perfume irresistível, Paulo rouba um pequeno avião do aeroporto e debanda dali.
- Óptimo, agora saber como se guia isto como deve ser…
Após viajar meia dúzia de quilómetros, já vendo a costa lá bem ao fundo, perde o controlo do avião, que se despenha, caindo em pleno mar…
- Sim, sim, estou a ir… Esta gente não sabe esperar. – Profere um personagem já meio calvo – Então vamos lá ver que foi agora… Yes, It’s me here!
- Oh Mr. Seixo, glad you could make it. I am so in need of your services. – é um homem muito mal encarado quem fala.
- You know how it’s done. Leave the envelope at the exit.
- Thanks for everything Mr. Seixo. – O homem sai com um ar parcialmente renovado, como se ventos frescos lhe limpassem a alma.
- Estes americanos da treta, não sabem fazer as coisas sozinhos… E depois vêem ao meu gabinete incomodar-me… Paspalhos… Mas vamos lá ver o que este agora quer… - abre o envelope e desenrola a folha – Hmm… “Three guys ate my wife…” Boa, e que quer ele que eu faça? O corno é ele! Tenho pena mas nada posso fazer. – e joga a folha para um monte de outras tantas idênticas.
Senhor Paulo Seixo, português sonhador em busca de uma vida melhor, residente numa pequena província dos Estados Unidos, perto de um, também este pequeno, aeroporto. Tem um gabinete que ajuda casos…não se sabe de quê, e muito menos se sabe como ajuda, mas alega fazê-lo.
À noite, já pronto para dormir, vem à cabeça de Paulo uma imagem do pedido de ajuda que recebera anteriormente naquela tarde. Um pressentimento de que havia algo que lhe tinha escapado. Assim, procurando deixar a sua mente mais limpa, levanta-se para ir até ao seu escritório e, quando lá chega, nota em falta a carta que procurava. Revista o escritório de uma ponta à outra e tentando não se irritar, pois só ele sabe como é difícil de se acalmar quando se irrita, respira fundo e olha pela janela, uma linda e maravilhosa lua cheia preenchia o céu, rodeada de poucas nuvens escuras, e com um tom um tanto ou quanto alaranjado. Pasmado, fica a contemplar tamanha beleza nunca antes vista por aqueles olhos. Eis quando ouve um barulho vindo da cozinha de sua casa. Um pouco assustado, mas nada que pudesse deixar transparecer, caminha lentamente até a cozinha onde encontra um pequeno anão a revistar-lhe o microondas.
- Minimeu? És tu? – Pergunta em tom de surpresa, medo e gozo.
- Minimeu o cara…ças! – Retalia ferozmente o pequeno ser.
- Que procuras?
- Algo que ainda não encontrei! Mas onde poderás tu tê-la escondido…? Diz-me!
- Mas escondido o quê? Eu não tenho nada a esconder!
- A não ser a própria face! Nem aqueles que te contratam sabem a cara de quem os safa dos problemas!
- Porque isso tornar-se-ia um problema para mim! Mas diz ao que vens! Ordeno-te!
- OK, eu vou-te dizer… - Num golpe muito baixo e desviando a atenção de Paulo, o anão joga-lhe os grandes dentes afiados à barriga e deixando-o gravemente ferido, foge pela janela.
Paulo nem soube ao certo o que lhe aconteceu. Como poderia uma criatura tão pequena ter tanta força nos maxilares? Onde iria um ser humano buscar tanta força? Era algo sobrenatural. No entanto a sua noite apenas começara e os barulhos não cessavam. Levanta-se a muito custo e, de olhos bem fechados, segue o som até à sua origem. Uma sonoridade cada vez mais ruidosa e horrenda deixa de se notar no momento em que entra no seu quarto e vê a carta que procurava há pouco. Pega nela e lê-a com mais atenção.
“Three guys ate my wife… but she keeps walking around in the neighborhood! She is falling into pieces! She is fucking rotten!!!” Escandalizado com o que acaba de ler, Paulo deixa de sentir quando leva com uma enorme pancada na cabeça. Desmaia por breves segundos e quando recupera os sentidos uma mulher meio podre tenta comê-lo vorazmente. Empurra-a, não sabe bem com que força, e consegue escapar de debaixo da desconhecida. Sente algo a efervescer na sua corrente sanguínea e joga-se com tanta força contra a, chamemos-lhe zombie, despedaçando o que faltava. Com o apartamento cheio de sangue, Paulo sabe que não pode permanecer ali por mais tempo. Volta a agarrar na carta e com o sangue que lhe escorre pelos dedos escreve, com letras bem grandes e sobre tudo o que já se encontrava escrito, “DONE”.
Após um bom banho, uma mudança de visual e a aplicação de um perfume irresistível, Paulo rouba um pequeno avião do aeroporto e debanda dali.
- Óptimo, agora saber como se guia isto como deve ser…
Após viajar meia dúzia de quilómetros, já vendo a costa lá bem ao fundo, perde o controlo do avião, que se despenha, caindo em pleno mar…
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Neo-Portal - Capítulo I
“O portal fechou-se, e dentro dele ficaram todas as criaturas que dele tinham saído. Todas excepto uma…”
- Já está? É só isto? Que decepção… E são livros destes considerados os melhores de sempre e tretas afins… Tristeza de mundo, se bem que seria interessante uma boa duma vampira aqui… Ai se era…
Foi desta maneira que terminei de ler o livro que todos os meus amigos me aconselharam a ler, mas não pude disfarçar a minha desilusão. Num mundo cheio de tanta coisa mágica, porque só se escreve sobre vampiros? Porque não um livro acerca de unicórnios, ou borboletas? Não se vê nenhum livro que fale de como são bonitas as borboletas ou de como uma borboleta vive a sua adolescência. Ou se queremos ficar apenas pelos humanóides, como seria a vida de alguém com uma maldição que obrigasse a pessoa a viver como uma gárgula nocturna? Pedra de noite, humano de dia… interessante não? Ou talvez apenas alguém com esquizofrenia, ou alguém possesso?! Mas não, o mundo não está preparado para tal coisa… Em vez disso tudo o que se vê são “Twilights” e “Vampire Diaries” por tudo quanto é livraria e tomando nomes e tamanhos diferentes, depois é filmes e series televisivas baseadas nestas duas sagas de livros ou noutras às quais estas possam ter ido buscar inspiração, o que é certo é que nada é original… Mas enfim, o mundo gira e a chuva continua a cair nesta noite invernosa de tempestade.
O sol bate-me nos olhos à medida que vou acordando lentamente e a minha mãe já grita “Alexandre Romeu, desce já essas escadas!”, nisto entra o meu irmão no quarto.
- Se queres boleia despacha-te, o Jonas já chegou para vir buscar a Salomé e não deve demorar a ir embora.
- Sim Fred… Eu hoje vou de bicicleta…
Desço as escadas ainda a cambalear de sono e a meio do processo a que chamam vestir, agarro numa torrada e vou comendo pelo caminho. Pego na bicicleta estacionada na garagem e começo a pedalar. Chego à escola já atrasado mas ainda a acabar de tragar a torrada mas tal não me impede de irromper pela sala de aula.
- Professor Dias, posso?
- Para você é Dr. Dias! E não, não pode sem antes terminar essa torrada repleta de manteiga, esse apetitoso bocado de pão torrado a uma temperatura não muito quente, essa fatia divina…
- É servido? – Pergunto eu procurando satisfazer o desejo aflito do Dr. Dias.
- Não, não senhor! – Recompõe-se o Dr. Dias um pouco atrapalhado – e faça o favor de se sentar!
- Mas ainda não terminei a minha fatia divina…
- Não lhe deram educação em casa?! Não sabe que quando o professor manda o aluno obedece?!
- A minha mãe encarregou-se disso, e deixe-me dizer-lhe que fez um óptimo trabalho. Como tal, dê-me licença que vou entrar, sentar-me e acompanhá-lo a si e aos meus colegas em mais uma das suas nada aborrecidas aulas.
- Mais uma dessas e assiste à aula do lado de fora do edifício.
As aulas passam depressa e já é hora de almoço. Encontro-me com os meus amigos na cantina da escola. Sentados na mesa do costume, no fundo da cantina no canto direito, já lá estão a Luísa, a Marisa e o Júlio.
- Boas pessoal!
- Que o sol ilumine essa tua face horrenda… Acordaste agora?
- Não Júlio não, mas podia.
- Estás mesmo mal tratado moço. Que fizeste esta noite? Brincaste um bocadinho contigo mesmo? Foi? Foi? – Pergunta Marisa num tom de brincadeira.
- Marisa, isso é algo íntimo meu, e não, não foi o que aconteceu. – procuro disfarçar o meu sorriso maroto – Fiquei foi a acabar de ler aquele tal livrinho da treta, que mais parece um jogo de vídeo que retira a maior parte dos aspectos dos livros de vampiros que se vêm aí hoje em dia, e deixei-me dormir tarde.
- Vai alimentar-te e senta-te aqui connosco.
No caminho para a fila do bar olho pela janela e vejo o meu irmão à luta com um rapaz. Vou lá fora ver o que se passa e apercebo-me que o motivo da luta é, mais uma vez, uma rapariga.
- Não tinhas nada que te meter com ela! Sabes muito bem que ela estava comigo! – Grita efusivamente Fred para o indivíduo encapuzado.
- Meu, tu curtis-te com ela quê? Sete, oito vezes no máximo não? Daí a “estar contigo” vai uma grande diferença…
- Cala essa boca camelo! – Fred guincha estas palavras ao empurrar o seu punho fechado contra o estômago do oponente que fica atordoado por um pouco, aproveitando Fred para espancá-lo.
- Frederico Antunes! Já para o meu gabinete! – Ordena a Senhora Etelvina, directora da escola, e num estalar de dedos dois dos seguranças agarram no meu irmão.
Espero por ele à porta do gabinete e quando ele sai pergunto-lhe em que se meteu desta vez.
- Foi o maricas do Leo, meteu-se com a Rita.
- Sim, e onde entras tu nesta história?
- Entro na parte em que ele se vai meter com ela, quem está com ela sou eu! Ele não tinha nada que se meter com ela se sabia que ela estava comigo!
- Sim mas… Tu sabes como as coisas são hoje em dia, e tu não namoras com ela pois não?
- Não, nem tenciono fazê-lo. Mas se ela tem andado a curtir comigo há umas duas semanas não tinha nada que andar a curtir com outros ao mesmo tempo.
- Tens que rever muitas coisas amigo. – Afirma Rita que acabara de aparecer – Eu sou livre, faço o que quero, com quem quero, porque quero, como quero e quando quero, e não é lá por te ter agarrado nos tomates uma porção de vezes que vou passar a ser a tua cadela. E para que conste, ele é melhor do que tu… – Rita encosta a boca ao ouvido de Fred - …em tudo. – Sorri e abandona o corredor sem olhar para trás.
- Vês mano? Ela não vale a pena, só estava a brincar contigo, a fazer de ti parvo. E conseguiu…
- Mas não se vai rir durante muito mais tempo… E quanto aquele Leo, há qualquer coisa de estranho com ele, e eu vou saber o que é.
- Já está? É só isto? Que decepção… E são livros destes considerados os melhores de sempre e tretas afins… Tristeza de mundo, se bem que seria interessante uma boa duma vampira aqui… Ai se era…
Foi desta maneira que terminei de ler o livro que todos os meus amigos me aconselharam a ler, mas não pude disfarçar a minha desilusão. Num mundo cheio de tanta coisa mágica, porque só se escreve sobre vampiros? Porque não um livro acerca de unicórnios, ou borboletas? Não se vê nenhum livro que fale de como são bonitas as borboletas ou de como uma borboleta vive a sua adolescência. Ou se queremos ficar apenas pelos humanóides, como seria a vida de alguém com uma maldição que obrigasse a pessoa a viver como uma gárgula nocturna? Pedra de noite, humano de dia… interessante não? Ou talvez apenas alguém com esquizofrenia, ou alguém possesso?! Mas não, o mundo não está preparado para tal coisa… Em vez disso tudo o que se vê são “Twilights” e “Vampire Diaries” por tudo quanto é livraria e tomando nomes e tamanhos diferentes, depois é filmes e series televisivas baseadas nestas duas sagas de livros ou noutras às quais estas possam ter ido buscar inspiração, o que é certo é que nada é original… Mas enfim, o mundo gira e a chuva continua a cair nesta noite invernosa de tempestade.
O sol bate-me nos olhos à medida que vou acordando lentamente e a minha mãe já grita “Alexandre Romeu, desce já essas escadas!”, nisto entra o meu irmão no quarto.
- Se queres boleia despacha-te, o Jonas já chegou para vir buscar a Salomé e não deve demorar a ir embora.
- Sim Fred… Eu hoje vou de bicicleta…
Desço as escadas ainda a cambalear de sono e a meio do processo a que chamam vestir, agarro numa torrada e vou comendo pelo caminho. Pego na bicicleta estacionada na garagem e começo a pedalar. Chego à escola já atrasado mas ainda a acabar de tragar a torrada mas tal não me impede de irromper pela sala de aula.
- Professor Dias, posso?
- Para você é Dr. Dias! E não, não pode sem antes terminar essa torrada repleta de manteiga, esse apetitoso bocado de pão torrado a uma temperatura não muito quente, essa fatia divina…
- É servido? – Pergunto eu procurando satisfazer o desejo aflito do Dr. Dias.
- Não, não senhor! – Recompõe-se o Dr. Dias um pouco atrapalhado – e faça o favor de se sentar!
- Mas ainda não terminei a minha fatia divina…
- Não lhe deram educação em casa?! Não sabe que quando o professor manda o aluno obedece?!
- A minha mãe encarregou-se disso, e deixe-me dizer-lhe que fez um óptimo trabalho. Como tal, dê-me licença que vou entrar, sentar-me e acompanhá-lo a si e aos meus colegas em mais uma das suas nada aborrecidas aulas.
- Mais uma dessas e assiste à aula do lado de fora do edifício.
As aulas passam depressa e já é hora de almoço. Encontro-me com os meus amigos na cantina da escola. Sentados na mesa do costume, no fundo da cantina no canto direito, já lá estão a Luísa, a Marisa e o Júlio.
- Boas pessoal!
- Que o sol ilumine essa tua face horrenda… Acordaste agora?
- Não Júlio não, mas podia.
- Estás mesmo mal tratado moço. Que fizeste esta noite? Brincaste um bocadinho contigo mesmo? Foi? Foi? – Pergunta Marisa num tom de brincadeira.
- Marisa, isso é algo íntimo meu, e não, não foi o que aconteceu. – procuro disfarçar o meu sorriso maroto – Fiquei foi a acabar de ler aquele tal livrinho da treta, que mais parece um jogo de vídeo que retira a maior parte dos aspectos dos livros de vampiros que se vêm aí hoje em dia, e deixei-me dormir tarde.
- Vai alimentar-te e senta-te aqui connosco.
No caminho para a fila do bar olho pela janela e vejo o meu irmão à luta com um rapaz. Vou lá fora ver o que se passa e apercebo-me que o motivo da luta é, mais uma vez, uma rapariga.
- Não tinhas nada que te meter com ela! Sabes muito bem que ela estava comigo! – Grita efusivamente Fred para o indivíduo encapuzado.
- Meu, tu curtis-te com ela quê? Sete, oito vezes no máximo não? Daí a “estar contigo” vai uma grande diferença…
- Cala essa boca camelo! – Fred guincha estas palavras ao empurrar o seu punho fechado contra o estômago do oponente que fica atordoado por um pouco, aproveitando Fred para espancá-lo.
- Frederico Antunes! Já para o meu gabinete! – Ordena a Senhora Etelvina, directora da escola, e num estalar de dedos dois dos seguranças agarram no meu irmão.
Espero por ele à porta do gabinete e quando ele sai pergunto-lhe em que se meteu desta vez.
- Foi o maricas do Leo, meteu-se com a Rita.
- Sim, e onde entras tu nesta história?
- Entro na parte em que ele se vai meter com ela, quem está com ela sou eu! Ele não tinha nada que se meter com ela se sabia que ela estava comigo!
- Sim mas… Tu sabes como as coisas são hoje em dia, e tu não namoras com ela pois não?
- Não, nem tenciono fazê-lo. Mas se ela tem andado a curtir comigo há umas duas semanas não tinha nada que andar a curtir com outros ao mesmo tempo.
- Tens que rever muitas coisas amigo. – Afirma Rita que acabara de aparecer – Eu sou livre, faço o que quero, com quem quero, porque quero, como quero e quando quero, e não é lá por te ter agarrado nos tomates uma porção de vezes que vou passar a ser a tua cadela. E para que conste, ele é melhor do que tu… – Rita encosta a boca ao ouvido de Fred - …em tudo. – Sorri e abandona o corredor sem olhar para trás.
- Vês mano? Ela não vale a pena, só estava a brincar contigo, a fazer de ti parvo. E conseguiu…
- Mas não se vai rir durante muito mais tempo… E quanto aquele Leo, há qualquer coisa de estranho com ele, e eu vou saber o que é.
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