domingo, 26 de setembro de 2010

Utopia

Sonho com uma Utopia.

Com um mundo de músicas de Verão e sons de Inverno, contrastes entre os pântanosos Outonos e as fluorescentes PrimaVeras.

E tudo Numa Noite

sábado, 4 de setembro de 2010

Neo-Portal - Capítulo III (Continuação)

Mais tarde, na escola, Fred e Alex encontram-se com as gémeas Luísa e Marisa.

- Fred, como estás hoje? – Pergunta Luísa.

- Igual… O mudo não muda porque havia eu de mudar?

- Mas sabes que estar assim não te ajuda em nada certo? É que se vais estar assim o resto da tua vida por causa duma rapariga, temos pena amigo, mas a tua vida vai ser uma perda de tempo.

- É, possivelmente seria melhor acabar já com ela então…

- Oh rapaz! Estás mesmo podre! Deixa-te dessas coisas! Hoje é sexta, sais comigo!

- Saio nada, tenho mais que fazer…

- Quer queiras, quer não eu passo na tua casa para te ir buscar. E prepara-te porque vais ter um muito, mas mesmo muito bom momento. E não quero cá saber de mariquices e “ah o mundo é uma porcaria cinzenta”! Só vives uma vez! Aproveita essa oportunidade única, ok?

- Não posso prometer nada, muito menos isso.

- Então parabéns Alex! É hoje não é? – Diz Marisa.

- É sim, obrigado!

Nisto vai Rita a passar por trás do grupo quando ouve a conversa.

- Fazes anos hoje Alex? Então parabéns. – E dizendo isto Rita beija Alex.

- Obrigado… Acho eu… - diz Alex bastante perplexo.

- E quanto a ti Fred, não fiques tão mal por causa de um pequenino mal entendido. Afinal, não é nada pessoal. – E mandando um beijo para Fred, Rita mistura-se com a multidão.

- Até contigo?! É que de todas as pessoas nesta escola, porquê tu?! Porra pá! – Fred grita com Alex e desaparece.

- Mas Fred…eu não quero nada com ela…

- Deixa lá Alex, ele agora precisa de estar sozinho… mas logo à noite, ele vai ter um bom momento para espairecer… Eu prometo-te, não te preocupes… - Diz Luísa ao tentar acalmar Alex.

- Sinceramente estou mais preocupado contigo que com ele…

- Ele não há-de ser tão má companhia…

- Sim, mas mesmo assim não te esqueças que hoje é para irmos jantar todos ok?

- Descansa rapaz, nós vamos. Mesmo que ela depois vá embora, eu fico lá. – Diz Marisa com um sorriso reconfortante.

- Vamos lá ver o que sai de lá…

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Dança Das Ondas

Nesta dança mágica
Cheia de pura emoção
Corre uma energia fantástica
Dentro do meu e do teu coração

É sentir o fresco da noite negra
E sentir o calor do corpo febril
É sentir falta do que não chega
Como sentir na cara a chuva de Abril

De volta de uma guitarra sem cordas
Sem saber que som emitir
Continuando a dança das ondas
Que nos nossos corpos se faz sentir

É a condição desalmada
De ser um alguém sem fulgor
É perder-se nas sombras da calçada
E encontrar-se nos braços do amor

Lupus Homine

Em noites escuras
Quando melodiosas notas pairam no ar
Cometemos loucuras
E aceleramos sem parar

Horas a fio
Noites até ser dia
O amanhecer leva consigo
As lembranças que eu conhecia

A esfera grande e luminosa
Brilha hoje mais uma vez
Sorrio para ti, oh dama formosa
E esqueço-me dos porquês

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Neo-Portal - Capítulo III

Novo dia começa na casa da família Antunes e para espanto de todos Alex já se encontra levantado. Toma banho pela hora que o sol se levanta, após uma corrida matinal, coisa que não se relaciona nada com o Alex que todos conhecem, e sai da casa de banho com um enorme sorriso na cara.

- Bons dias irmão! – Diz efusivamente.

- Fala baixo puto… - Responde Fred ainda bastante ensonado.

E Alex segue em direcção ao seu quarto. Fecha a porta, atira a toalha, que o cobria da cintura para baixo, para cima da cama, abre as cortinas e a janela e sente o vento a bater-lhe no peito nu.

- Que belo dia que está… Céu azul, brisa fresca, sol brilhante…

Nisto um pequeno cocó de pássaro cai no seu pé esquerdo.

- E merda de pombo! Agora sim tenho o dia completo. – Diz enquanto limpa o pé.

Abre o seu armário para retirar roupa para vestir e fica parado um pouco a olhar-se no espelho. Cabelo loiro, corpo no geral franzino apenas com pequeníssimas saliências, às quais gosta de chamar músculos, nos braços e pernas, e uma fila estreita de pelos claros que se inicia no seu umbigo e segue para baixo. Aproxima a cara do espelho para que possa admirar melhor o seu rosto. Olhos castanhos-claros um tanto amarelados, uma pequena penugem nos lados da sua face e no queixo e um pequeno bigode normal na puberdade.

- Sou mesmo bom… - Diz para si próprio ao mesmo tempo que faz poses para salientar os seus músculos.

- Continua a dizer isso a ti próprio por muitas vezes, pode ser que consigas convencer alguém. E tapa esse penduricalho, ninguém tem interesse em ver isso.

Alex apercebe-se de que está nu e tapa o seu pénis com as mãos.

- Cala-te Salomé! Também ninguém quer saber de ti e andas sempre de roupa interior pela casa!

- Pois ando, mas EU sou boa, e tenho quem to possa garantir maninho – Salomé sorri e entra para o seu quarto.

- Ranhosa… Mas tenho de cortar este bigodinho, fica-me mal.

Alex despacha-se calmamente e desce as escadas que levam à cozinha.

- Sim mãe, sabes que aqui o nosso querido Alex deve andar atrás de algum rabo de saia. – Relata Salomé à sua mãe.

- Oh Sal deixa o teu irmão em paz.

- Pois é Sal! Deixa o teu irmão em paz. – Diz Alex para reforçar a ordem de sua mãe e para sua auto-defesa.

- Está calado miúdo. Lá porque fazes hoje anos não significa que vá ter mais respeito por ti.

- Mas devias! Quinze anos já são uma boa marca, já devias ter-me algum respeito.

- Miúdo, a sério, cala-te…

- E tu Fred, não te manifestas?

- Não tenho nada a dizer, estou completamente vazio de palavras…

- De há duas semanas para cá tens estado muito profundo, mas muito vazio. Já não fazes o mesmo que fazias, às tantas já não és o mesmo…

- Que sabes tu do que falas?! Irrita-me que as pessoas falem do que não sabem como se soubessem do que falam! – Fred diz isto ao mesmo tempo que joga a torrada contra o prato, agarra a sua mochila e sai de casa.

- Frederi… - Renata é interrompida pelo seu telemóvel. – Renata Penetra, bom dia!

- Até logo mãe. – Dizem Alex e Sal à medida que abandonam a habitação.

- Sim…estou a ver…certo… Mas repare que é algo muito precipitado…sim…sim, compreendo perfeitamente, mas mesmo assim…está bem, não se volta a repetir, peço imensas desculpas se o ofendi… - A chamada termina. - Não podia esperar mais um pouco? Oh raio…

Crónicas De Um Sem-Nalga: Recuperação



E agora, passado cerca de mês e meio, posso dizer que já me sinto operacional a (quase) todo o vapor!
Estou ciente de que foi uma recuperação rápida e de que ainda nem tudo está a 100%, mas sinto-me bastante esperançoso de que já não demore a atingir tal patamar.
O que faz parecer que estás crónicas comecem a ter os dias contados...
Carpe Diem

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Tekken, O Filme Que Tem Algumas Semelhanças Com O Jogo

Pois bem, depois de muito esperar consegui finalmente ver o filme baseado no jogo Tekken!

E que querem que vos diga? É mais um filme baseado num jogo, não um jogo em formato de filme. No entanto deixo-vos aqui a minha opinião baseada em vários pontos de vista.

1º Como fã incondicional que sou desta serie de jogos, adoro toda a história, desde as personagens mais "importantes" até às mais recentes e pequenas. E é muito triste para um fã ver que o jogo apenas serviu como uma pequena parte da base do filme. Apenas se encontram pouco mais de uma dúzia de personagens do jogo das quais nem metade tem qualquer protagonismo. Maiores erros ainda no campo das personagens, de fora ficaram Paul e Hworang, que penso que são personagens importantes para o desenrolar da história principal; depois terem sido inseridas personagens como Raven, Dragunov, Miguel Rojo (que no filme é referido oralmente como Miguel Roja, o que se torna um tanto irritante). A caracterização das personagens presentes é ou muito boa, ou muito má, se bem que apenas se considera muito má a caracterização dos Jacks (que nada têm a ver com os do jogo, no filme são simples guardas com fatos de kenpo (penso eu) e metralhadoras). Já chega de falar das personagens. Adiante temos a grande diferenciação de contextos, por exemplo Mishima Zaibatsu foi substituída pelo nome de Tekken, e o passado das personagens é diferente do original. Outra coisa que não fez sentido foi o facto de os lutadores usarem armas no torneio, ok o Yoshimitsu também no jogo usa a sua faquinha, e seria baixo o oponente não utilizar também uma arma, mas fora isso não faz sentido, Tekken é uma serie de beat'em up, porrada bruta e simples, sem armas, apenas técnicas físicas e um tanto sobre-humanas. E vou-me ficar por aqui se não conto o resto do filme. Portanto, como fã, não fiquei totalmente desiludido, mas acho que podiam ter feito um filme muito melhor se não quisessem por tudo de uma vez.

2º Pondo-me no lugar de alguém que desconhece a história de Tekken, achei o filme apelativo e mesmo divertido, Com óptimas cenas de luta, nenhum ponto morto, sempre está a acontecer algo, seja acção fulminante ou apenas revelações, e o enredo criado foi algo apelativo à juventude de hoje em dia relatando festas, beijoquices, desentendimentos familiares, assassinos atrás de jovens, tudo coisas que acontecem na vida de qualquer adolescente dos dias de hoje... ou perto disso... A banda sonora encaixa perfeitamente. Depois dos créditos é mostrada uma cena que dá indicações de que uma sequela pode estar a ser ponderada. Um bom filme de acção para se ver com amigos, ou até mesmo sozinho, numa daquelas tardes/noites em que não há nada melhor para fazer.

E pronto, ai têm a minha opinião. Agora basta ver a recepção, que pelos vistos não parece ser estar muito famosa visto que o filme apenas estreou nos cinemas japoneses e já se encontra em dvd.


sábado, 7 de agosto de 2010

Labirinto Porque És?

Pelos old times
As noites on the bar
As old nights com o old friend cá na town
As shitty ass bubaderas
And then...
The nada, puf, the work of knowing nothing.
Toda a sensação de ter o mundo nas mãos, e porque? Para isto? Isto é algo mas e se nada fosse? Caminhando adiante... No outro sítio, nada muda... As mesma fantasias, as mesmas desilusões... O galopar do ancião de fogo que persegue as almas penadas. O bom, o mau… e, não o intermédio, não o do meio, o de fora. Ambos experienciados, todos testados, e agra o último fixado.
Erros, aprender com eles. Dedos apontados, talvez sem razão, talvez acompanhados dela, mas não se pode fugir à realidade. E hoje, agora, talvez seja tarde demais, ou quiçá ainda cedo. A ligação, o anel unido que envolve o todo, quebrado devagar mas por completo, o culminar do que possivelmente nunca foi. Depois o vazio, o nada, o espaço em branco, a matéria negra.
Palavras deitadas ao ar, este com mais significado que as mesmas porém, o sim que diz que não, o talvez que diz que não, o provavelmente que diz que não, e ainda o obviamente que claramente diz que não. Mal entendidos super-referidos e a exaustão de querer compreender, ou a falta dela. Rejubilar apenas no dia do nunca, no dia não realizado, no dia do universo decerto paralelo e avistar a paz negra de uma estrela vermelha.
E contudo, novamente, a percepção mantém-se, mas com ela, a crescente vergonha de sentir. Nada de desculpas, nada de perdões, apenas nada. Compreensão é tudo o que resta, e uma discussão civilizada para a anteceder.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Crónicas De Um Sem-Nalga: Ciclo

Retirar adesivo, retirar compressas,abrir, retirar gase, desinfectar, fechar, lavar, limpar, abrir, inserir gase, fechar, pôr compressas, adicinoar adesivo.
REPETIR

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Neo-Portal - Capítulo II

- Mr. Seixo. Mr. Seixo Paulo. – Uma voz mecanizada chama.

- Sim, sim, estou a ir… Esta gente não sabe esperar. – Profere um personagem já meio calvo – Então vamos lá ver que foi agora… Yes, It’s me here!

- Oh Mr. Seixo, glad you could make it. I am so in need of your services. – é um homem muito mal encarado quem fala.

- You know how it’s done. Leave the envelope at the exit.

- Thanks for everything Mr. Seixo. – O homem sai com um ar parcialmente renovado, como se ventos frescos lhe limpassem a alma.

- Estes americanos da treta, não sabem fazer as coisas sozinhos… E depois vêem ao meu gabinete incomodar-me… Paspalhos… Mas vamos lá ver o que este agora quer… - abre o envelope e desenrola a folha – Hmm… “Three guys ate my wife…” Boa, e que quer ele que eu faça? O corno é ele! Tenho pena mas nada posso fazer. – e joga a folha para um monte de outras tantas idênticas.

Senhor Paulo Seixo, português sonhador em busca de uma vida melhor, residente numa pequena província dos Estados Unidos, perto de um, também este pequeno, aeroporto. Tem um gabinete que ajuda casos…não se sabe de quê, e muito menos se sabe como ajuda, mas alega fazê-lo.

À noite, já pronto para dormir, vem à cabeça de Paulo uma imagem do pedido de ajuda que recebera anteriormente naquela tarde. Um pressentimento de que havia algo que lhe tinha escapado. Assim, procurando deixar a sua mente mais limpa, levanta-se para ir até ao seu escritório e, quando lá chega, nota em falta a carta que procurava. Revista o escritório de uma ponta à outra e tentando não se irritar, pois só ele sabe como é difícil de se acalmar quando se irrita, respira fundo e olha pela janela, uma linda e maravilhosa lua cheia preenchia o céu, rodeada de poucas nuvens escuras, e com um tom um tanto ou quanto alaranjado. Pasmado, fica a contemplar tamanha beleza nunca antes vista por aqueles olhos. Eis quando ouve um barulho vindo da cozinha de sua casa. Um pouco assustado, mas nada que pudesse deixar transparecer, caminha lentamente até a cozinha onde encontra um pequeno anão a revistar-lhe o microondas.

- Minimeu? És tu? – Pergunta em tom de surpresa, medo e gozo.

- Minimeu o cara…ças! – Retalia ferozmente o pequeno ser.

- Que procuras?

- Algo que ainda não encontrei! Mas onde poderás tu tê-la escondido…? Diz-me!

- Mas escondido o quê? Eu não tenho nada a esconder!

- A não ser a própria face! Nem aqueles que te contratam sabem a cara de quem os safa dos problemas!

- Porque isso tornar-se-ia um problema para mim! Mas diz ao que vens! Ordeno-te!

- OK, eu vou-te dizer… - Num golpe muito baixo e desviando a atenção de Paulo, o anão joga-lhe os grandes dentes afiados à barriga e deixando-o gravemente ferido, foge pela janela.

Paulo nem soube ao certo o que lhe aconteceu. Como poderia uma criatura tão pequena ter tanta força nos maxilares? Onde iria um ser humano buscar tanta força? Era algo sobrenatural. No entanto a sua noite apenas começara e os barulhos não cessavam. Levanta-se a muito custo e, de olhos bem fechados, segue o som até à sua origem. Uma sonoridade cada vez mais ruidosa e horrenda deixa de se notar no momento em que entra no seu quarto e vê a carta que procurava há pouco. Pega nela e lê-a com mais atenção.

“Three guys ate my wife… but she keeps walking around in the neighborhood! She is falling into pieces! She is fucking rotten!!!” Escandalizado com o que acaba de ler, Paulo deixa de sentir quando leva com uma enorme pancada na cabeça. Desmaia por breves segundos e quando recupera os sentidos uma mulher meio podre tenta comê-lo vorazmente. Empurra-a, não sabe bem com que força, e consegue escapar de debaixo da desconhecida. Sente algo a efervescer na sua corrente sanguínea e joga-se com tanta força contra a, chamemos-lhe zombie, despedaçando o que faltava. Com o apartamento cheio de sangue, Paulo sabe que não pode permanecer ali por mais tempo. Volta a agarrar na carta e com o sangue que lhe escorre pelos dedos escreve, com letras bem grandes e sobre tudo o que já se encontrava escrito, “DONE”.

Após um bom banho, uma mudança de visual e a aplicação de um perfume irresistível, Paulo rouba um pequeno avião do aeroporto e debanda dali.

- Óptimo, agora saber como se guia isto como deve ser…

Após viajar meia dúzia de quilómetros, já vendo a costa lá bem ao fundo, perde o controlo do avião, que se despenha, caindo em pleno mar…

terça-feira, 27 de julho de 2010

Detective Tourette

Noite fria, gelada. Sigo eu o suspeito, a pé, com a típica gabardina e chapéu de quem não quer ser descoberto. Vejo-o entrar por uma porta, numa rua pouco iluminada, e paro para pensar se seria boa ideia entrar. Decido esperar e fico escondido atrás de um carro estacionado. Após uns minutos ele sai, acompanhado por dois homens armados. Saio de fininho, regresso ao meu carro e repenso a minha estratégia. Volto a seguir o suspeito, desta vez de carro, e peço alguns reforços. Após o pedido depressa encurralamos o suspeito e assim, saio do veículo e revelo-me.

- O senhor tem o direito de per...caralho fodasse merda...manecer em silêncio.

- Ahahahahahahah! E é um descontrolado como tu que me diz isso?

Perco o controlo de vez e esmurro-o até que este fica inconsciente. Volto para a esquadra, deixo-o à entrada com os meus colegas e vou para casa, no entanto ainda os ouço conversar.

- Viste o que ele fez ao gajo?

- Ainda isso não é nada. Dizem que já arrancou as mãos a um par deles para que não pudessem agarrar em nenhuma arma.

Tento ignorar todas as bocas irreais e foco-me na minha vida. Mas... é cada vez mais difícil. Tudo pelo que me esforcei tem começado a quebrar. Desde pequeno que estou ciente de que tenho Síndroma de Tourette, e sempre recusei medicação, sempre acreditei na minha força interior, e até há uns tempos sempre consegui superar as coisas, umas mais facilmente, outras com mais dificuldade. Consegui terminar a escolaridade obrigatória e ainda prosseguir estudos, e encontro-me hoje numa esquadra da polícia ocupando um cargo de detective, ou coisa parecida. A minha família sempre me apoiou, embora pela noite fora ouvisse os meus pais a chorar e a questionarem-se onde teriam errado. Quando tinha os meus 20 anos o meu pai faleceu e a minha mãe desapareceu, fiquei sozinho no mundo. Amigos nunca os tive, nem nunca me interessei em tê-los, se sempre consegui tudo sozinho nunca vi mal algum em continuar assim. No entanto um ombro no qual pudesse repousar era algo que neste momento não recusaria.

Novo dia, e pelas 8.30 da manhã já me encontro na esquadra a estudar novo caso.

- Oh barulhento! Vê lá se te controlas da próxima! Precisamos deles em condições de falar! Palhaço da treta, aberração!

Levanto-me e saio. Sempre evitei o diálogo o máximo possível, tudo corre melhor enquanto mantenho a boca fechada. E como já sabia que trabalho me esperava não olhei sequer para trás. Havia algo neste caso específico que me chamava, uma espécie de dejá vu quando olhava para a assinatura nos documentos que se encontravam no processo. Enfim, há-de ser apenas impressão. Levo alguns dias a seguir o suspeito, que continua a manter aquela chama de algo familiar.

- Então fala-barato, já há avanços? Tão pá? Não te ensinaram que deves responder a algo quando te perguntam?

- E não vos ensinaram a ter...porra colhões...respeito?

- Tu não tens nada que dizer sobre isso. Não dizes uma frase sem um palavrão. - e levanta a mão com a qual me esbofeteia em seguida, habituei-me ao fim de alguns meses, mas é um mau hábito.

- Fartei-me de todos vós! Puta cona! - E saio, indo terminar oi meu trabalho.

- Vai e não voltes! Criatura do diabo...

Sempre fui gozado, não é de agora. Sozinho também sempre estive, mais ainda desde que os meus pais desvaneceram, frequentava eu ainda o ensino secundário. Mas sinto-me demasiado cheio, já prestes a explodir. Como se tal não bastasse, fiz o meu trabalho de casa e descobri que o meu criminoso não é senão um ex-polícia do outro lado do mundo, e mais, meu avô. Marquei um encontro com ele perto duma falésia extremamente rochosa, ele é demasiado perigoso, e eu também, portanto nenhum de nós deve andar à solta. Quando chego ao local não se vê mais nada nem ninguém para além de mar e algumas dezenas de metros de rocha. Saco de um cigarro, nunca fumei, mas como dizem, há sempre uma primeira vez para tudo.

- Não devias fazer isso...neto.

- Olá avô. - Falo sem tirar os olhos de uma gaivota que sobrevoava o mar azul de uma tarde de inverno. Dirijo-me depois ao porta-bagagem do meu automóvel. Avô...picha ranhosa com mel de foda...importa-se de chegar aqui? Tenho algo...cacetes de peluche...que lhe gostava de mostrar...

- Sabes, conheci uma vez alguém com o mesmo problema que tu. Existem medicamentos que te podem ajudar. Mas por enquanto, o que me querias mostrar?

Ao chegar perto do porta-bagagem o velho recebe um murro meu no estômago e atiro-o para dentro da mala do carro.

- Gosto em saber. - Fecho-o lá dentro e ligo o carro, ponho uma pedra no acelerador e faço o carro atirar-se do íngreme penhasco. Oiço depois o barulho do carro explodir após ter embatido contra as rochas, e ver o mar a reflectir as luzes da reacção explosiva é algo lindo. Chego-me à beira da falésia e ajoelho-me. Oiço paços e passo a vista por cima do ombro. Tiro a pistola e meto-a na boca. - Olá mãe...cara... - Primo o gatilho.

NIGHTMARE

Saiu hoje o mais recente álbum da banda de Heavy Metal norte-americana Avenged Sevenfold.
Li, especulei, ouvi, gostei, desapontei-me.
Gostei da rapidez do álbum, as músicas mais brutas, a diversidade nas faixas, enfim, uma viagem por um pouco do trabalho da banda.
Como grande fã, a notícia da morte de Rev deixou-me transtornado, e este trabalho é sim uma óptima homenagem a essa grande personalidade da bateria, da música e do mundo.
No entanto, o tom das diferentes músicas torna-se um pouco igual, o conteúdo das letras também não difere assim tanto, e isso é compreensível, mas desapontante.
Aconselho o álbum, é bom de ouvir uma vez por outra, mas não estão no seu melhor, e ninguém lhes pedia isso.
O Pesadelo é como o levantar de uma fénix sobre as próprias cinzas.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Neo-Portal - Capítulo I

“O portal fechou-se, e dentro dele ficaram todas as criaturas que dele tinham saído. Todas excepto uma…”


- Já está? É só isto? Que decepção… E são livros destes considerados os melhores de sempre e tretas afins… Tristeza de mundo, se bem que seria interessante uma boa duma vampira aqui… Ai se era…

Foi desta maneira que terminei de ler o livro que todos os meus amigos me aconselharam a ler, mas não pude disfarçar a minha desilusão. Num mundo cheio de tanta coisa mágica, porque só se escreve sobre vampiros? Porque não um livro acerca de unicórnios, ou borboletas? Não se vê nenhum livro que fale de como são bonitas as borboletas ou de como uma borboleta vive a sua adolescência. Ou se queremos ficar apenas pelos humanóides, como seria a vida de alguém com uma maldição que obrigasse a pessoa a viver como uma gárgula nocturna? Pedra de noite, humano de dia… interessante não? Ou talvez apenas alguém com esquizofrenia, ou alguém possesso?! Mas não, o mundo não está preparado para tal coisa… Em vez disso tudo o que se vê são “Twilights” e “Vampire Diaries” por tudo quanto é livraria e tomando nomes e tamanhos diferentes, depois é filmes e series televisivas baseadas nestas duas sagas de livros ou noutras às quais estas possam ter ido buscar inspiração, o que é certo é que nada é original… Mas enfim, o mundo gira e a chuva continua a cair nesta noite invernosa de tempestade.

O sol bate-me nos olhos à medida que vou acordando lentamente e a minha mãe já grita “Alexandre Romeu, desce já essas escadas!”, nisto entra o meu irmão no quarto.

- Se queres boleia despacha-te, o Jonas já chegou para vir buscar a Salomé e não deve demorar a ir embora.

- Sim Fred… Eu hoje vou de bicicleta…

Desço as escadas ainda a cambalear de sono e a meio do processo a que chamam vestir, agarro numa torrada e vou comendo pelo caminho. Pego na bicicleta estacionada na garagem e começo a pedalar. Chego à escola já atrasado mas ainda a acabar de tragar a torrada mas tal não me impede de irromper pela sala de aula.

- Professor Dias, posso?

- Para você é Dr. Dias! E não, não pode sem antes terminar essa torrada repleta de manteiga, esse apetitoso bocado de pão torrado a uma temperatura não muito quente, essa fatia divina…

- É servido? – Pergunto eu procurando satisfazer o desejo aflito do Dr. Dias.

- Não, não senhor! – Recompõe-se o Dr. Dias um pouco atrapalhado – e faça o favor de se sentar!

- Mas ainda não terminei a minha fatia divina…

- Não lhe deram educação em casa?! Não sabe que quando o professor manda o aluno obedece?!

- A minha mãe encarregou-se disso, e deixe-me dizer-lhe que fez um óptimo trabalho. Como tal, dê-me licença que vou entrar, sentar-me e acompanhá-lo a si e aos meus colegas em mais uma das suas nada aborrecidas aulas.

- Mais uma dessas e assiste à aula do lado de fora do edifício.

As aulas passam depressa e já é hora de almoço. Encontro-me com os meus amigos na cantina da escola. Sentados na mesa do costume, no fundo da cantina no canto direito, já lá estão a Luísa, a Marisa e o Júlio.

- Boas pessoal!

- Que o sol ilumine essa tua face horrenda… Acordaste agora?

- Não Júlio não, mas podia.

- Estás mesmo mal tratado moço. Que fizeste esta noite? Brincaste um bocadinho contigo mesmo? Foi? Foi? – Pergunta Marisa num tom de brincadeira.

- Marisa, isso é algo íntimo meu, e não, não foi o que aconteceu. – procuro disfarçar o meu sorriso maroto – Fiquei foi a acabar de ler aquele tal livrinho da treta, que mais parece um jogo de vídeo que retira a maior parte dos aspectos dos livros de vampiros que se vêm aí hoje em dia, e deixei-me dormir tarde.

- Vai alimentar-te e senta-te aqui connosco.

No caminho para a fila do bar olho pela janela e vejo o meu irmão à luta com um rapaz. Vou lá fora ver o que se passa e apercebo-me que o motivo da luta é, mais uma vez, uma rapariga.

- Não tinhas nada que te meter com ela! Sabes muito bem que ela estava comigo! – Grita efusivamente Fred para o indivíduo encapuzado.

- Meu, tu curtis-te com ela quê? Sete, oito vezes no máximo não? Daí a “estar contigo” vai uma grande diferença…

- Cala essa boca camelo! – Fred guincha estas palavras ao empurrar o seu punho fechado contra o estômago do oponente que fica atordoado por um pouco, aproveitando Fred para espancá-lo.

- Frederico Antunes! Já para o meu gabinete! – Ordena a Senhora Etelvina, directora da escola, e num estalar de dedos dois dos seguranças agarram no meu irmão.

Espero por ele à porta do gabinete e quando ele sai pergunto-lhe em que se meteu desta vez.

- Foi o maricas do Leo, meteu-se com a Rita.

- Sim, e onde entras tu nesta história?

- Entro na parte em que ele se vai meter com ela, quem está com ela sou eu! Ele não tinha nada que se meter com ela se sabia que ela estava comigo!

- Sim mas… Tu sabes como as coisas são hoje em dia, e tu não namoras com ela pois não?

- Não, nem tenciono fazê-lo. Mas se ela tem andado a curtir comigo há umas duas semanas não tinha nada que andar a curtir com outros ao mesmo tempo.

- Tens que rever muitas coisas amigo. – Afirma Rita que acabara de aparecer – Eu sou livre, faço o que quero, com quem quero, porque quero, como quero e quando quero, e não é lá por te ter agarrado nos tomates uma porção de vezes que vou passar a ser a tua cadela. E para que conste, ele é melhor do que tu… – Rita encosta a boca ao ouvido de Fred - …em tudo. – Sorri e abandona o corredor sem olhar para trás.

- Vês mano? Ela não vale a pena, só estava a brincar contigo, a fazer de ti parvo. E conseguiu…

- Mas não se vai rir durante muito mais tempo… E quanto aquele Leo, há qualquer coisa de estranho com ele, e eu vou saber o que é.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Crónicas De Um Sem-Nalga: A Monotonia

Agora em casa
Fazer penso todos os dias
Acções bastante limitadas
Dias cheios de monotonias

Não há muito sobre o que relatar, agora os meus dias são passados no computador, a ver coisas diversas, a jogar... As dores também não são nada do outro mundo, enfim, tudo se resume a monotonia, aborrecimento, chatice, e muita, muita paciência.
Estas crónicas voltarão um dia, nem que seja apenas para se depedirem.

Kiss kiss bang bang

domingo, 11 de julho de 2010

Crónicas De Um Sem-Nalga: The Comeback

Fui para ficar lá um dia e acabei ficando dois e meio!
Cirurgia de Ambulatório, retirar cisto, voltar para casa. Era assim o plano, no entanto nem tudo corre como planeado e, ao invés de me ser retirado um cisto foram-me retirados dois!
Anestesiado e a dormir foi como passei a cirurgia, mas após acordar não posso esconder a aflição que é não conseguir mexer a parte inferior do corpo (devido à anestesia conhecida como "epidural"), embora soubesse que esse efeito era apenas temporário.
Já haviam passado várias horas após a cirurgia e eu todo contente pois a hora de ir para casa estava a aproximar-se, além do mais agora já so tinha que recuperar e não mais me preocupar com este problema, quando começo a sangrar bastante e sou alvo de mais uma pequena intervenção a sangre frio, digamos que remexer num buraco do tamanho de meia nádega com compressas de uma maneira um tanto agressiva não é nada agradável. Acabei por passar uma noite no hospital. Dia seguinte, ainda sangue indesejado espreitava o céu azul, e então foi marcada nova cirurgia e, às dez da noite, sensivelmente, vou novamente para o bloco operatório. Ficando tudo bem desta vez voltei para casa há cerca de uma hora e aqui estou relatando mais um episódio desta saga.
Agarrem-se ao que vos pode cair,
Daniel Oni Gurreiro

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Crónicas De Um Sem-Nalga: Até Já



Nem mais! 12 horinhas e fora com o cisto!
E agora que a introdução foi feita e a situação é conhecida, proponho-me, eu próprio, a mim mesmo, relatar o meu percurso daqui para a frente relativo a este assunto.
Sem mais a adiantar, fico, por enquanto, por aqui.
Até Já

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Crónicas De Um Sem-Nalga: Processo De Encerramento Do Orifício



Numa palavra. Tratamento. Noutra palavra. Recuperação.
Às tantas já não é tanto a dor, pois esta diminui, mas sim o aborrecimento de ir todos os dias ao centro de saúde fazer o tratamento, ou seja, desinfectar e fazer novo penso, dia após dia após dia após dia. Sorte a minha que tenho um óptimo poder de recuperação e regeneração física, e em semana e meia melhorei consideravelmente, tendo apenas que continuar a fazer tratamento devido à indicação médica.
Enfim, este terceiro episódio destas crónicas é bastante curto, mas também assim foi esse período da minha vida, aborrecido, e custou-me uma semana de aulas!

Beijinhos e abraços